O verão chega e com ele o calor,
as férias, as viagens e aquela imagem desoladora: famílias inteiras à
beira da estrada: são os "sem-revisão", à espera de um reboque ou de um
mecânico para tirar dali o automóvel enguiçado.
Mas para escapar
dessas armadilhas é importante verificar alguns itens. E não apenas os
visíveis e óbvios, como pneus e luzes do veículo, mas principalmente
componentes simples, que ficam escondidos sob a casca do automóvel e
têm o poder de transformar o sonhado descanso da família num pequeno
inferno.
Para não cair no papo de mecânicos pouco confiáveis, o
melhor é saber o que se deve trocar para não torrar todo o dinheiro das
férias com serviços desnecessários ou até inexistentes.
Um desses itens quase sempre esquecidos são os elementos de borracha.
E esta checagem deve ser feita mesmo em carros que rodam muito pouco.
Esse material se decompõe naturalmente com o tempo: em geral, a vida
útil é de, no máximo, cinco anos.
Não são peças caras, mas podem criar problemas grandes. Uma rachadura, por mínima que seja, na mangueira do radiador, por exemplo, é capaz de detonar o sistema de arrefecimento. E protelar o conserto pode ser ainda pior: empeno no cabeçote.
Correias também devem ser
revisadas para evitar surpresas indesejáveis. Para proteger estes e
outros itens de borracha, nada de lavagem com óleo sob o carro. "O óleo
de mamona, por exemplo, tem solvente à base de petróleo e acelera o
desgaste das borrachas, do escapamento e do motor. Não protege nada",
explica Antônio Júlio Coupê, gerente de Serviço de Produto da General
Motors.
Uma boa revisão engloba necessariamente os componentes de segurança. E um bom começo é cuidar de rodas e pneus.
Falta de pressão correta, rodas desbalanceadas e direção desalinhadas
geram não só consumo desnecessário de combustível como comprometem
outras peças (principalmente da suspensão), o que reduz e a pronta
resposta aos comandos do volante. "Desalinhamento é igual a
instabilidade. Na hora de fazer uma manobra brusca, o veículo tem um
comportamento imprevisível", adverte Ricardo Bock, coordenador do curso
mecânica automobilística da FEI.
O sistema de freios
também merece atenção especial. É bom verificar pastilhas, discos,
lonas e fluido. As pastilhas possuem uma marca na lateral onde é
possível verificar a vida útil. Com até 50% de desgaste, pode-se partir
para uma viagem. Mais que isso, o bom senso manda trocar.
O
próprio chiado nas frenagens evidencia que é hora de colocar as novas.
Já em relação ao fluido, não adianta apenas completar se estiver baixo.
O correto é verificar se há vazamento, já que o líquido não evapora.
Na parte da suspensão,
checar amortecedores, buchas e batentes é uma boa medida. Amortecedores
ineficientes fazem com que as respostas do carro aos buracos fiquem
mais bruscas. Com o uso, cria folga nos braços e apoios e a
estabilidade do carro fica comprometida. Há equipamentos que verificam
o estado dos amortecedores, mas um teste rápido consiste em pressionar
com força para baixo a carroceria na altura das rodas.
Ao
soltar, se o carro oscilar mais de uma vez sem reduzir a amplitude do
movimento, o amortecedor está vencido. "Além da perda de controle em
curvas e de ficar mais sujeito a aquaplanagem, um veículo com
amortecedores ruins a 60 km/h pode aumentar a distância de frenagem em
até dois metros", diz Nilton Tadeu Durães, gerente de engenharia da
Monroe.
Outro equipamento geralmente desprezado, mas que pode se tornar uma dor-de-cabeça, é o limpador de pára-brisas.
Se as borrachas das palhetas estiverem gastas, a visibilidade na chuva
fica seriamente comprometida. Nessa verificação entram as borrachas e
também o encaixe da palheta na haste de fixação.
"É fácil
checar: basta molhar o vidro e colocar o limpador para funcionar. Se
não limpar bem o vidro é melhor substituir. É barato, fácil de trocar e
o próprio motorista pode fazer", afirma Reinaldo Nascimbeni, supervisor
de serviços técnicos da Ford.
VELAS E ÓLEO SÃO VITAIS PARA O CARRO ANDAR BEM
Quando se lê no manual do
proprietário a expressão "sob condições severas", a tendência é pensar
que isso significa usar o veículo num deserto escaldante ou numa
floresta tropical açoitada por chuvas pesadas. Nada disso: pesado é
ligar o carro, não dar o tempo correto para o motor aquecer, enfiá-lo
num trânsito lento que impede a refrigeração correta e ainda por cima
expô-lo à fuligem dos outros veículos em volta. Por isso, o melhor é
verificar os dois quesitos básicos para ampliar a expectativa de vida
do motor: óleo e vela de ignição.
As velas de ignição devem ser
verificadas a cada 3.000 km. Se estiverem com problema, fazem um
verdadeiro efeito dominó: queda de rendimento do motor, dificuldades na
partida, aumento de consumo e de emissão de poluentes. Com o tempo, os
efeitos secundários, como danos no catalisador e até no alternador. "A
trocas das velas é rápida e fácil, mas deve ser feita por gente
capacitada. A instalação incorreta pode danificar o motor", diz Ricardo
Namie, chefe da assistência técnica da NGK, fabricante de velas.
Em relação ao óleo, o melhor é não
economizar. Não adianta partir para lubrificantes baratos, mas fora de
padrão. Cada marca estipula no manual do proprietário o tipo de óleo a
ser usado. Essa especificação deve ser respeitada, mas em geral o
período previsto para trocas é otimista. O mais indicado é mesmo trocar
óleo e filtro a cada seis meses ou a cada 5.000 km, o que ocorrer
primeiro. "Óleo é como o rim. A função é limpar o sistema. Se o sistema
estiver sujo, isso afeta a lubrificação do motor", compara Reinaldo
Nascimbeni, supervisor de serviços técnicos da Ford.